O Agrupamento de Escolas de Terras de Larus constitui-se também como Escola de Referência para a Educação do Ensino Bilingue de Alunos Surdos, de acordo com o estipulado no artº4 do Decreto-Lei nº 3/2008 de 7 de Janeiro.
Esta rede de escolas de referência, criada com vista a concentrar meios humanos e materiais que possam oferecer uma resposta educativa de qualidade a estes alunos, visa, simultaneamente, possibilitar a aquisição e desenvolvimento da Língua Gestual Portuguesa (LGP) como primeira língua dos alunos surdos, assim como a aplicação de metodologias e estratégias de intervenção interdisciplinares, adequadas a alunos surdos. Para o efeito, este projecto de referência funciona de uma forma sequencial e integrada em duas escolas do Agrupamento: EB1/JI da Quinta de Stº António e na Escola sede. Face a estas valências, o Agrupamento beneficia de um conjunto apropriado de recursos destinados a servir uma camada discente cada vez mais vasta e difusa, oriunda de vários municípios do distrito de Setúbal.
2. HISTÓRICO E GEOGRÁFICO
As escolas e jardins-de-infância que constituem este Agrupamento situam-se no concelho do Seixal, freguesia da Amora.
O Seixal é um município que está integrado no distrito de Setúbal, abrangendo uma área de 93,6 km2. Dele fazem parte as freguesias de Aldeia de Paio Pires, Amora, Arrentela, Corroios, Fernão Ferro e Seixal. A norte, o concelho, criado por D. Maria II, em 1836, quando se deu a reforma administrativa do liberalismo, é limitado pelo rio Tejo e pela ribeira de Coina; a sul, faz fronteira com Sesimbra; a leste, com o concelho do Barreiro e a oeste, com Almada. Foi extinto em 1898 para ser de novo criado três anos mais tarde. Até esta data, as freguesias do agora Concelho do Seixal pertenciam a Almada. A população, nesta época, era essencialmente rural. Os que habitavam perto do rio dedicavam-se à actividade de cabotagem que era muito importante pois estabelecia o contacto com Lisboa ou à indústria da moagem desenvolvida nos moinhos de maré. Existiam então 12 moinhos espalhados pelas margens do rio, da enseada do Seixal à ribeira de Coina.
Junto ao rio situavam-se os principais núcleos urbanos: a vila do Seixal, Arrentela, Torre da Marinha e Amora. No interior, a Aldeia de Paio Pires tinha um carácter rural, circundado de quintas de produção agrícola. A maior parte das quintas do Município pertenciam a ordens religiosas, que eram utilizadas pelos nobres e pelos fidalgos da corte como quintas de recreio.
As quintas situavam-se na orla fluvial; as povoações urbanas ocupavam uma área reduzida do Município e a área restante do concelho era maioritariamente florestal, pois uma das actividades principais era a produção de madeira para embarcações. Com a revolução industrial do século XIX instalaram-se no concelho diversas unidades industriais. A primeira grande unidade industrial dedicava-se ao fabrico de lanifícios e instalou-se na Torre da Marinha. Daí em diante, várias unidades fabris instalaram-se no Município, dedicadas às mais variadas actividades, tais como: o fabrico de sabão, de vidro, de produtos químicos, de sola, seca do bacalhau, descasque e moagem de arroz e, no final do século XIX, a transformação da cortiça. Neste particular, a Mundet marcou a maior parte do século XX, empregando parte substancial da população do concelho. Em 1960 é inaugurada a Siderurgia Nacional que fez aparecer novas unidades industriais. Por esta altura regista-se um progressivo abandono da actividade agrícola e um aumento da actividade industrial. Inicia-se a construção da ponte sobre o Tejo, fundamental para aproximar a margem Sul da capital. Seguiu-se a construção da auto-estrada do Sul até ao Fogueteiro o que veio assim aumentar o nível de acesso ao concelho, com os consequentes aumentos da área urbanizada e da população residente.